domingo, 25 de outubro de 2009

Não está cabendo mais


Notícia de hoje: a frota de veículos no Brasil cresceu, nos últimos 8 anos, 240%. Isto: duzentos e quarenta por cento. (Em Belo Horizonte, minha cidade, cresceu 62%, mas ninguém precisava
de pesquisa para perceber o inferno no qual nossas ruas e calçadas se transformaram, entulhadas de carros e de motoristas estressados, com o dedo na buzina.) Uma grande parte da população -incluindo, claro, o Governo - deve estar achando isso lindo, apontando como um "indicador da expansão da economia", "acesso das camadas pobres aos bens de consumo" e outros delírios que costumam acometer estas mentes desequilibradas que acham que o importante é "ter", cada vez mais. Há dois anos, fizemos uma pesquisa curiosa, para saber quanto de espaço real BH estava perdendo para os automóveis. O resultado está neste blog, nas "postagens anteriores", para quem quiser. Faz mais de um ano que virei pedestre. Além de melhorar minha saúde, a decisão de vender meu carro também dotou-me de um jeito diferente de olhar a paranóia urbana, cada vez mais suja, feia e poluída. Não estou vendo saída. Salve-se quem puder.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A hipocrisia é uma droga




Estudiosos e políticos afirmam que a questão da violência no Rio pode ser comparada a um problema de "oferta e demanda" de mercado, no qual os traficantes disputam seus clientes a qualquer custo. Se isso é real, pouco se falou dos anônimos consumidores, fundamentais no processo. Ora, há um universo imenso de cidadãos que não dispensam sua cheiradinha ou seu baseado em festinhas chiques, casas de família, reuniões de amigos.

Todos sabem que a droga é "legal" e socialmente aceita em determinadas rodas artísticas, intelectuais, moderninhas... Depois, são estes mesmos que reclamam, indignados, do terrível problema que assola a cidade.

É muita hipocrisia.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Rio versus Chicago


Chicago, como todos sabem, é uma cidade muito pobre, feia, sem nenhuma infraestrutura, zero em cultura e com pouquíssimos recursos públicos. Falta tudo em Chicago, já fui lá. Eu acho aqueles prédios do F.L Wright e os canais de água azul e limpíssima que cortam a cidade...puro lixo! Já o Rio de Janeiro...ahá!, é diferente! A "cidade maravilhosa" está num país sensacional, onde não há violência, todas as crianças têm direito à educação, transporte, saúde. Qualquer um pode sair de casa tranquilamente, deixando a porta destrancada, não é mesmo? E as favelas, tão pitorescas, se integram perfeitamente à paisagem cordial e no dia-a-dia da cidade. É tão maravilhosa que em toda novela da Globo aparece o Rio de Janeiro. E o dinheiro? Ah, a grana - em excesso e muito bem administrada - está sobrando para as obras públicas no Brasil. Por isto é que há uma grande campanha nacional para fazer do Rio de Janeiro a cidade-sede das Olimpíadas de 2016. Todo mundo está torcendo, é isso aí, Bra-siiillllll!!! Já em Chicago, aquela cidadezinha desprezível e horrorosa, 75% da população, sondada através de pesquisa, acha que os gastos com um evento deste porte seriam absolutamente supérfluos. Que gente chata e implicante! Eles pensam que seria muito mais negócio aplicar este dinheirão em obras prioritárias da cidade, como mais escolas, museus, transporte, segurança e hospitais.

domingo, 20 de setembro de 2009

O Outro Eu


"Eu não sou eu.
Eu sou alguém que caminha ao meu lado.
Que permanece em silêncio quando estou falando.
Que perdoa e esquece quando estou irado, esbravejando.
Que segue sereno quando estou aflito, sofrendo.
E que estará de pé quando eu estiver morrendo.
Eu não sou eu.
Eu sou alguém que caminha ao meu lado."

(de Juan Ramon Jimenez, poeta espanhol,
Prêmio Nobel de Literatura de 1956,
gentilmente enviado pela amiga Maria Teresa)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Porque Michael não "morreu"


Achei surpreendente a família de MJ culpar o médico pela sua morte. O cara, coitado, pressionado pelas necessidades de seu cliente, um superstar, não soube dizer "não" (como ousaria?) – e sifu.
Pensei também nos muitos casos de acidentes aéreos que vitimaram aviões privados e helicópteros, porque o piloto-comandante não soube dizer "não" ao dono da aeronave e decolou com aquelas nuvens negras no horizonte e a previsão meteorológica dizendo para ele ficar em terra. No caso de MJ, o que me chama atenção é que, para o show-business, principalmente para os norte-americanos, ninguém mais “morre” de causas naturais. Imagine, logo quem, Michael Jackson vai "morrer" assim, assim? Michael tomava algo em torno de 15 remédios diários por conta das intervenções estéticas que fez ao longo da vida, além de um balde de tranqüilizantes. Um belo dia, no limite, estressado, às vésperas de uma temporada gigantesca, milhões de dólares em jogo, aquele corpo igual aos demais humanos não agüenta e “morre” – como aconteceria a qualquer “mortal”. Mas... o Rei do Pop poderia ter um fim assim tão banal? Claro que não: arrumaram um assassino, o médico – como se sua vida louca já não fosse um suicídio preparado a longo prazo. Foi enterrado ontem. Descanse em paz.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Poeminha do jardim


Crisálida

A crisálida, coitada,
Já não é mais lagarta
Mas ainda não virou borboleta.
A crisálida – é bom que se avise –
Está em crise.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Amadurecer...


Rav Ashlag, o homem que fundou o Kabbalah Centre em 1922, utiliza este exemplo ao descrever o processo espiritual de uma pessoa: Quando você dá uma mordida em uma maçã que não está madura, quem sabe até amarga, o problema não é a maçã; o problema foi que não demos tempo de a árvore amadurecer a maçã. O problema é o nosso timing, não a maçã, nem a árvore. Essa é uma mensagem poderosa para nós, porque deixa claro que o único verdadeiro problema é que o nosso processo ainda não está completo. Isso significa que não podemos nos perturbar por estarmos zangados, tristes ou deprimidos, ou por não termos alcançado nossas metas ou critérios. Somos apenas uma obra em construção. Nós somos a fruta que ainda não está madura para ser colhida. Você não derrubaria uma árvore por não dar maçãs maduras. Você espera dois meses e colhe as maçãs maduras. Rav Ashlag ainda diz que não existe nada de mau no mundo – apenas pessoas e situações no meio do processo. Nossa imperfeição não nos torna maus. Na verdade, o mau não existe. Esta lição não se aplica apenas à nossa relação com nosso crescimento espiritual. Ela também significa que não podemos julgar ninguém, nem dizer que sejam maus ou que não sejam dignos. Nenhum de nós não é bom o bastante. Nenhum de nós não é digno o bastante. Quer estejamos na semente, no galho, ou na fruta – lembre-se, é tudo um processo. Há uma árvore em Portugal, chamada alfarrobeira, que leva 70 anos para dar frutos. O fato de um fazendeiro que cultiva a alfarrobeira talvez não viver o suficiente para provar os frutos de seu trabalho não torna sua atividade inútil, nem significa que ele esteja desperdiçando seu tempo. Muitas vezes nos encontramos em relacionamentos que parecem que não vão dar em nada, ou trabalhando em projetos de negócios que não decolam. Mas é o próximo relacionamento ou empreendimento comercial que dará frutos, porque investimos no anterior. E, às vezes, é preciso plantar 10, 20 ou até 100 sementes para que dê frutos. Mas não existe esforço desperdiçado. Descubra com que "árvores" você precisa ser mais paciente. E, talvez o mais importante, lembre-se de suas colheitas anteriores e saiba que o prêmio está a caminho.